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Opinião de António Cartaxo: “Geração Idiota?”

20 de Abril de 2014

Actualmente, quando a minha geração inicia uma afirmação dirigida a um jovem, com a expressão “No meu tempo…”, ou vai haver careta ou risada pejorativa… eles não se identificam com esse tempo, é normal, os ciclos da vida evoluem para outras realidades, se bem que nem toda a evolução é progressista, pode ser diferente mas nem sempre essa diferença consubstancia um progresso. Vem esta minha reflexão a propósito deste pensamento de Albert Einstein: “Eu temo o dia em que a tecnologia ultrapasse nossa interacção humana e o mundo terá uma geração de idiotas”.

A CartaxoPalavras sábias, porque na verdade esse tempo parece estar próximo, muito próximo. Recentemente, estava eu a almoçar em família num restaurante da cidade, ao mesmo tempo que na mesa da frente um casal, trintão, com um filho de seis, ou sete anos de idade, também almoçavam. Nada de anormal. A certa altura apercebo-me que a criança está agarrada a um tablet enquanto a mãe lhe dá a comidinha à boca e posteriormente o pai lhe dá a sobremesa, também à boca. E neste entretanto a criança continuou sempre a jogar no tablet perante a colaboração tácita dos pais.

Lembrei-me de Einstein e desta “geração idiota” que ele já previa apesar do distanciamento aos tempos actuais, e olhei para a minha filha, com pouco mais de 4 anos, e sorri-lhe embevecido perante o seu desembaraço com que ritualizava o talher em luta com o bife. É certo que ela não percebeu o meu sorriso mas retorquiu-me com outro. Pelo menos nesta premonição Einstein não me atinge, e pensei cá p’ra mim: Estás certo, completamente certo.

 

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Na verdade as tecnologias modernas distanciaram ainda mais as gerações, apesar de todas as proximidades físicas, criaram fronteiras de indiferença e incompreensão, encaminharam as diferentes gerações para a partilha de muros de silêncio personificados em tablets, iPods, iPads, e outras excentricidades. É uma espécie de “penso, mas não existo”. É tremendamente desconcertante. Esta é a mesma geração que come canela em pó, ingere spray de pimenta, pratica ‘bullying’, cresce quase “de copo na mão e cigarro na boca”, opta por rituais perigosos para impressionar não se sabe muito bem o quê ou a quem, etc etc.

Será que o ócio associado ao uso excessivo das novas tecnologias desperta esta geração para comportamentos idiotas? Não sei… talvez, mas sei que a complacência dos pais ajuda de forma determinante a criar esta deseducação arrepiante. O pior é quando o ponto de inversão já foi ultrapassado. A partir daí surgem as consequências. Felizmente, cá para o meu lado, o contexto familiar ainda vai resistindo a estas tendências. Oxalá assim continue.

António Cartaxo

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