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opinião de Ricardo Gomes: “O Excepcionalismo algarvio”

7 de Março de 2014

Ricardo GomesTodos nós sabemos, mais ou menos sucintamente a História do Algarve e das suas gentes. Como fomos um Reino próprio, onde por inerência, o Rei de Portugal era o Rei do Algarve (mas podia não ser assim). Certo é que este facto, cobriu o Algarve e os algarvios de um certo execpcionalismo, porquanto em rigor da verdade, sempre nos governámos a nós próprios. O Algarve, hoje é uma região incontornavelmente ligada ao sector terciário e ao subsector do Turismo, nos seus produtos mais tradicionais de Sol, Mar, e Golfe, despontando para os produtos mais inovadores deste subsector. Hoje, segundo o INE/AICEP, o Algarve produz cerca de €7.381 milhões para o PIB nacional, numa percentagem de pouco mais de 5% da riqueza nacional total, tendo este n.º aumentado em média 1.9% entre 2009 e 2011, sendo que actualmente se mantem estagnado, em termos absolutos anuais. No entanto a verdadeira questão, não tem a ver com o que o Algarve dá ao País, mas o que o País retribui. E tem retribuído. Ora vejamos… Em Janeiro de 2012, há precisamente 2 anos, portajou a Scut da Via do Infante, sob o falso pretexto/critério de haver a alternativa da EN 125, onerando o comércio algarvio e obstaculizando as exportações terrestres para Espanha e França, que são os 2 maiores destinos das exportações algarvias, a par da Holanda e Itália. Angola também figura nos primeiros 5 mercados destino, mas neste caso, explorando sobretudo a via marítima. Em termos populacionais, em 2011, o Algarve registou um crescimento efectivo da população de 0.83%, bastante acima da média nacional de -0.01%, apresentando 438 mil habitantes efectivos, com uma previsão de 543 mil para 2020. No entanto, o Estado central optou por encerrar extensões de saúde, dispensar médicos das USF’s e Centros de Saúde e Hospitais, nomeadamente o de Portimão, dispensar professores das escolas, quando no Algarve existe a maior taxa de escolarização do País, cerca de 151.5% contra os 146% da média nacional. E neste domínio saliente-se ainda o aumento de quase 2% da população universitária, sendo que a região algarvia é a única que apresenta um crescimento efectivo desta população, no País. Ainda assim, a extensão de Portimão da Escola de Hotelaria fechará portas em breve, num claro recuo do investimento na actividade nuclear da região, quando ainda há bem pouco tempo, no Governo de Santana Lopes, o Ministério do Turismo estava localizado no Algarve. Ainda em termos populacionais, o Algarve apresenta hoje 26% de população jovem (0-24 anos), contra 19% de população idosa (+65 anos), tendo das mais positivas pirâmides etárias do país. Neste domínio e depois de apresentar programas e incentivos à empregabilidade, especificamente desenhados para o Algarve, constata-se que estes, são precisamente iguais aos do resto do país, sem qualquer género de especificidade e estão “congelados” pelas mesmas razões que estão “congelados nas outras regiões; – A falta de verbas! Em termos de infra-estruturas, creio que logo no inico desde ano ficou objectivamente demonstrado o abandono e a desconsideração a que o Algarve é alvo, quando foi necessário um mero rebocador para o Porto de Portimão e os turistas do Paquete Funchal tiveram que esperar dias para poderem zarpar. Aliás, a questão dos portos algarvios é tanto mais sintomática, quando se analisam os mapas de investimentos dos sucessivos governos para os portos nacionais e se percebe que os algarvios, quando são alvo de investimento, são-no em percentagens bastante inferiores aos restantes, nacionais. Como poderemos ser uma região de referência em termos turísticos e ombrear com outras regiões, bastante mais competitivas também em termos fiscais? Salve-se o anúncio do Ministro Pires de Lima, em sentido contrário ainda em Janeiro! Creio que o Algarve e os algarvios têm argumentos mais que suficientes para contornar os tempos difíceis que vivemos, apenas em igualdade de circunstâncias com as outras regiões, perante do Poder Central. Depois deste sumaríssimo quadro económico – demográfico, ficamos com a percepção de que é bom viver no Algarve, mas é muito mau vivermos em Portugal!

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