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Polícia sim, mas com dignidade! – António Cartaxo

28 de Fevereiro de 2014

A Cartaxo

Vivem-se tempos dramáticos, as famílias desesperam, muitos portugueses emigram, outros tantos não conseguem fazer face aos compromissos assumidos, as penhoras aumentam o desespero de muita gente, a máquina do Estado não perdoa, esmaga as pessoas mas não perdoa os incumprimentos, é um sufoco enorme. Enquanto isso o partido que suporta o governo desdobra-se em propaganda politica e em faustosos congressos, que, pela faustosidade utilizada, revela uma imensa insensibilidade para com todos os que sofrem neste momento. Parafraseando o Professor Marcelo, isto é longamente irritante. Podia ser curtamente irritante, mas já se torna longamente irritante.

POLICIAS

Infelizmente os policias não fogem a esta regra. Apesar das exigências profissionais que diariamente pairam nos estatutos das forças policiais, desde o brio, ao exemplo, ao decoro, etc. encontram-se cada vez mais entregues a si próprios, sem saídas para poderem sequer honrar os seus compromissos familiares, vêm-se obrigados a tentarem encontrar soluções com a tutela politica mas têm esbarrado num MAI que revela elevada subtileza para o exercício de manobras dilatórias para empatar tempo, um tempo que os policias já não têm, que já não conseguem dilatar. A tensão sente-se no ar, a falta de soluções da tutela tende a esticar o desespero, e em última análise pressente-se que tudo pode entretanto acontecer.

PSP manif

Mais uma manifestação está agendada, os profissionais das forças policiais e dos serviços de segurança encontram-se altamente motivados em massa para aderir a mais uma iniciativa de protesto de rua, e enquanto as organizações sindicais das polícias se desdobram em declarações de passividade e acalmia, transpira-se revolta no seio dos homens e mulheres que as compõem. A corda está esticada ao seu ponto limite. Com os vencimentos amputados em valores que os fazem recuar a ordenados de 2003, os profissionais de polícia sentem-se abandonados, desrespeitados e enxovalhados, e têm toda a razão, principalmente se imaginarmos que a estes profissionais são exigidas condutas de exemplo, de honra e de dignidade, mas cujo suporte ao seu cumprimento lhes têm sido retirados pelas actuais políticas, ao ponto de já não os conseguirem garantir.

policia_carro

 

Quando se entra numa espiral de desespero, perde-se lucidez, principalmente se essa espiral for resultado de alguma sensação de injustiça, como é o caso. Nada pior pode acontecer a um homem digno que não seja roubarem-lhe a dignidade. Quando isso acontece começa a funcionar o “vale tudo”, e Deus queira que estejamos a tempo de evitar esses desígnios. A democracia assente os seus suportes numa polícia reconhecida, valorizada, digna e honrada, que garanta democraticamente o normal funcionamento das instituições democráticas, e eu temo que neste momento alguns desses alicerces estejam fragilizados, muito fragilizados. Oxalá o bom-senso impere em quem tem a responsabilidade de garantir a dignidade nas forças policiais. Oxalá!!

António Cartaxo Dirigente Nacional do SPP/PSP

2 comentários leave one →
  1. Pedro permalink
    28 de Fevereiro de 2014 23:04

    Acho impressionante este senhor vir falar em “imperar o bom senso”, e o seu quando era policia no respeito pelo cidadão. Acha que imperou o bom senso quando interviu em 2003 numa ocorrência junto ao shoping? Como pode vir um ex-policia, expulso, falar em dignidade… Santa hipocrisia.

    • António Cartaxo permalink
      3 de Março de 2014 21:05

      O senhor deve estar a confundir-me com outra pessoa!
      Não sei de que ocorrência fala nem me interessa saber, até porque o meu apelo ao bom-senso é dirigido a “quem tem a responsabilidade de garantir a dignidade nas forças policiais”, nomeadamente a tutela politica.
      Para além disso eu não fui expulso da Policia, como erradamente você afirma. Eu fui aposentado compulsivamente, o que é diferente, e mesmo essa aposentação compulsiva está agora a ser ilegalizada pelo Supremo Tribunal Administrativo, porque não cometi nenhum crime, nem matei, nem assaltei, nem roubei ninguém, simplesmente fiz declarações publicas, como dirigente sindical da PSP, em defesa dos direitos e interesses dos profissionais de Policia. Se você acha isso um crime de lesa-pátria é um problema seu a quem esse seu comentário foi encomendado! Fique bem…

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