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População pede à Câmara Cais de Embarque para regresso das carreiras fluviais ao Núcleo Histórico-habitacional dos Hangares

12 de Dezembro de 2013

O edil farense, Rogério Bacalhau, acompanhado de dois vereadores e o chefe de gabinete, visitaram os Hangares e, mais uma vez (pois já antes tinha visitado aquele núcleo da Ria Formosa e dias antes desta sua visita recebeu, na Assembleia Municipal de Faro, um abaixo assinado com quase 200 assinaturas da população, também entregue na CCDRA – Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Algarve ), confirmaram que grande é a história e muitas as tradições do núcleo histórico/habitacional dos Hangares, cujo resumo, feito pelo historidor – professor doutor da Universidade do Algarve, Francisco Lameira, é elucidativo da importância estratégica e económica, para a região e País, deste local que deve o seu nome ao facto de na I Guerra Mundial aqui amararem hidroaviões franceses para defenderem de uma possível invasão alemã através das águas do Atlântico.

Hangares Bacalh veread e dir assocRogério Bacalhau (centro) com vereação e dirigentes da Associação de Moradores dos Hangares, na visita ao núcleo dos Hangares

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Um pequeno resumo da história do núcleo dos Hangares, pesquisada pelo professor dr. Francisco Lameira, é elucidativa da importância estratégica, histórica, económica e social do núcleo dos Hangares   

Cientes destes factos, muitos visitantes dos Hangares, nomeadamente políticos em campanha eleitoral ou detentores de cargos públicos, locais – regionais ou nacionais, bem como outras figuras do panorama artístico e televisivo português , têm assumido a defesa da manutenção e valorização daquele núcleo histórico/habitacional, até como exemplo do estoicismo das gentes das ilhas da Ria Formosa em prol do todo português.

Hangares dep aguaDSC02940 Algumas das RDSC02934

 

Algumas das várias ruínas, por abandono, do património do Estado, que nem deixa que a Associação ou população dos Hangares as recuperem em proveito público, impressionam qualquer um(a)  

 

Presidente da autarquia e vereadores ficaram impressionados com estado a que chegaram as históricas infra-estruturas dos Hangares. Os hangares para os hidroaviões em ruínas, um moinho de vento (derrubado pelas intempéries por falta de manutenção) que bombeava água (boa – ainda hoje – para beber), existente em dois grandes poços para dois enormes depósitos (um recuperado pelos habitantes e outro em riscos de derrocada por se encontrar no interior da cerca de arama farpado da Marinha), um Posto da então Guarda Fiscal e cinco casas para 4 guardas e um cabo (tudo ao abandono e em ruínas, com utilizações menos recomendáveis, uma carvoaria com as dimensões aproximadas a um pavilhão desportivo (igualmente em ruínas por falta de manutenção) destinada, através de vagonetas (já ferrugentas), para servirem os velhos galeões de pesca a vapor que atracavam na ponte da então JAPSA – Junta de Porto Sotavento do Algarve (IPTM), substituída, no mesmo local, por uma que a Marinha construiu e já em mau muito estado.

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Este é o estado a que chegou a ponte dos Hangares

Bacalhau ficou a saber que os avós e pais das atuais gerações que habitam no Núcleo histórico-piscatório dos Hangares que, desde a década de 40 do século passado que na mesma ponte (da emtão JAPSA) atracavam barcos das carreiras fluviais (transportes públicos), de e para Olhão, como o barco do João Rendeiro, proprietário da mercearia da Lurdes, ou do Salazar, proprietário da venda dos Faz Gostos, ambos da Culatra (este último até aos anos 60, quando a Marinha construíu no lugar da velha uma nova ponte e montou toda a vedação de arame farpado em volta da ilha, rodeando os três núcleos habitacionais– Culatra – Hangares e Farol) da Ilha de Santa Maria, sem esquecer igualmente a embarcação dos faroleiros -“Vegio” – ou a “JA”, da JAPSA, que também atracavam na ponte dos Hangares para transportarem, para ou de Olhão, os familiares do funcionário da JAPSA, o pioneiro Manuel Lobishomem, com casa nos Hangares desde 1932.

Afinal, reconhecendo ainda que os hangrenses também são gente, portugueses que trabalham para o Estado e privados, muitos outros que são pescadores – mariscadores e viveiristas, que por isso vivem do que a Ria Formosa e o Oceano Atlântico lhes dá, o anterior executivo camarário, liderado pelo engº. Macário Corria, com Rogério Bacalhau como vice-presidente, fez uma baixada de água para um fontanário público na Associação de Moradores dos Hangares (cuja sede foi construída com os apoios da autarquia, então liderada por João Botelheiro, e da Junta de Freguesia da Sé, então liderada por Otávio Escolástico), onde já existia a parabólica de comunicações da PT, e os apartados com novo código postal dos Hangares, cedidos pelos CTT através de protocolo com a autarquia e a Associação de Moradores, apesar da pouco funcional transição do correio entre a Culatra e os Hangares. Tudo sem esquecer igualmente a existência, há vários anos, do serviço de recolha de lixos domésticos, através de contentores, e monos, com os tratores e barco do lixo ao serviço da FAGAR a utilizarem a ponte dos Hangares.

Barco passa ao lado

Os hangrenses recordaram ainda que o anterior executivo camarário, ciente da necessidade de uma maior aproximação das popoulações das ilhas sob jurisdição territorial de Faro, colocou, há dois anos, o barco que transporta diáriamente os estudantes do núcleo da Culatra para Faro a atracar na ponte dos Hangares, até porque fica a meio do percurso e o mesmo passa diariamente a escassos metros daquele cais. Mas o edil verificou in-loco que o referido barco deixou de atracar nos Hangares porque os seus tripulantes alegam falta de condições para tal, pois a Marinha, cujos comandantes das capitanias locais (Olhão e Faro) autorizaram a atracagem das carreiras, colocou duas enormes boias na zona de atracagem para servir/proteger os seus navios, mas que provocam uma atracagem dos barcos de carreira fluvial demasiado afastada das escadas de acesso aos utilizadores , com perigo para os mesmos.

Assim, os populares recordaram ao edil que a solução está bem perto e praticamente sem custos para o erário público, capaz de minimizar as dificuldades que têm sido impostas à qualidade de vida dos hangrenses ao longo das últimas décadas, recusando acreditar e enveredar por ideias (sussuradas em vários locais) da existência de grandes interesses imobiliário-turísitcos para a zona mais larga do cordão dunar, como é a dos Hangares, criando dificuldades para que a juventude não se estabeleça no núcleo e os mais velhos vão morrendo e, assim, desertificando humanamente as cerca de 200 habitações existentes, como acontece em várias populações rurais do nosso Algarve e resto do País.

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Há cerca de dois anos, quando o barco de carreiras fluviais atracava na ponte flutuante agora sem uso no Cais Comercial de Faro e (na foto acima) quando ainda atracava na ponte dos Hangares

Cientes do interesse de Rogério Bacalhau e sua vereação em prestar serviço público, a população dos Hangares voltou a pedir ao edil o desenvolvimento de contatos e boas vontades para que a ponte flutuante que se encontra no Cais Comercial, pertença do ex-IPTM (ao abandono e fora de serviço), que há dois anos servia o transporte fluvial entre os núcleos da Culatra – Hangares – Farol e Faro, seja colocada ao serviço de moradores e visitantes dos Hangares (único núcleo habitacional da Ria Formosa que não recebeu a construção de uma nova ponte fluvial) , crianças, estudantes e idosos, recordando mais uma vez que, através do aproveitamento desta estrutura, não só se evita o abandono de uma ponte flutuante adquirida com dinheiros públicos, como ainda se poupam gastos ao erário público para que a população dos Hangares seja servida dos elementares transportes públicos em pleno século XXI.

Rogério Bacalhau voltou a confirmar que os hangrenses, gente trabalhadora e pacífica, entendem que não precisam invadir qualquer escadaria ou ocupar qualquer organismo público para conseguirem transportes públicos para jovens e idosos, estudantes, trabalhadores e reformados, sem esquecer os visitantes dos Hangares, pois continuam a ter fé no sentido de justiça dos dirigentes políticos, para que, sem pressões do foro ambientalista, pois está provado que o núcleo dos Hangares não é zona de risco, sejam facultadas as condições mínimas de vida em pleno século XXI, em pé de igualdade com outros núcleos habitacionais da Ria Formosa, pois já lhes basta que os cabos da energia eléctrica e as canalizações da água e esgotos passem debaixo dos pés dos habitantes e perto das casas sem as respetivas ligações às habitações.

Manuel Luís –  t e f

 

 

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